Governo federal cria força-tarefa após ameaças contra indígenas em MS
Medida reúne três ministérios e busca receber, apurar e encaminhar denúncias de violência registradas após o segundo turno das eleições
O governo federal criou uma força-tarefa interministerial para receber e apurar denúncias de violência contra comunidades indígenas registradas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25).
A iniciativa reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Segundo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, uma equipe foi designada para receber as denúncias, identificar os envolvidos e encaminhar os casos aos órgãos responsáveis pelas investigações.
A mobilização ocorre em meio à repercussão de ameaças registradas em Mato Grosso do Sul, especialmente em Tacuru, onde dois servidores municipais foram afastados após a divulgação de áudios com ofensas contra indígenas. Em uma das gravações, um dos envolvidos sugere colocar veneno na água consumida pelas comunidades.
A Prefeitura de Tacuru informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), afastou os dois servidores e afirmou repudiar manifestações de racismo, discriminação e incitação à violência.
O caso também é acompanhado pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Denúncias em outros municípios
De acordo com Eloy Terena, além de Tacuru, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu relatos envolvendo Amambai e a região de Sidrolândia.
O governo federal informou que alguns dos casos encaminhados à Polícia Federal já resultaram na abertura de inquéritos. Um canal de atendimento pelo WhatsApp também deverá ser disponibilizado para receber novas denúncias.
A força-tarefa terá ainda a função de centralizar os registros e acompanhar as providências adotadas em cada caso.

