Força Nacional reforça patrulhamento em aldeias de MS após ameaças contra indígenas
Equipes atuam em três comunidades; Polícia Federal foi acionada para investigar áudios com ameaça de envenenamento da água em Tacuru
A Força Nacional de Segurança Pública iniciou o patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após denúncias de ameaças e violência contra os povos Guarani e Kaiowá. As equipes atuam em Sassoró, em Tacuru, Taquapery e Limão Verde, conforme informação divulgada na quinta-feira (29) pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.
O reforço policial busca proteger os moradores e prevenir novos episódios de violência. A mobilização integra uma força-tarefa federal responsável por acompanhar as denúncias e encaminhar os relatos aos órgãos de investigação.
Polícia Federal investiga ameaças
Entre os casos que motivaram a atuação está a circulação de áudios com ameaças contra moradores da Aldeia Sassoró. Em uma das gravações, atribuída a um servidor municipal de Tacuru, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pela comunidade.
A Polícia Federal foi acionada para apurar a origem e a autenticidade das gravações, identificar os envolvidos e verificar a ocorrência de crimes. O Ministério Público Federal também acompanha o caso.
Não há comprovação de que a água consumida pelos moradores tenha sido contaminada.
O funcionário foi afastado pela prefeitura e deverá responder a um Processo Administrativo Disciplinar. Segundo o prefeito Rogério Torquetti, ele trabalha no setor de infraestrutura, como motorista de caminhão-caçamba, e não atua na distribuição de água do município.
Proteção e responsabilização
O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou as ameaças e afirmou que a comunidade buscará a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível.
A força-tarefa reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e da Cidadania. O Ministério da Justiça também solicitou o encaminhamento de denúncias para centralizar as informações e facilitar as investigações.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que as forças de segurança atuam quando acionadas para prevenir conflitos e proteger as pessoas envolvidas. A pasta também afirmou que não procede a informação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no Estado.

