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Bancada federal de Mato Grosso do Sul vota favorável ao fim da escala 6x1 na Câmara

Proposta reduz jornada semanal para 40 horas, amplia descanso remunerado e segue agora para análise do Senado Federal

📅 28/05/2026 05:54 | Fonte: Campo Grande News
Bancada federal de Mato Grosso do Sul vota favorável ao fim da escala 6x1 na Câmara
Divulgação

Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul votaram favoravelmente à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais. A votação ocorreu nesta quarta-feira (27), na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Entre os parlamentares sul-mato-grossenses, votaram “sim” nos dois turnos Camila Jara (PT), Dagoberto Nogueira (PP), Luiz Ovando (PP), Geraldo Resende (União Brasil), Rodolfo Nogueira (PL) e Vander Loubet (PT). Já no segundo turno, Beto Pereira (Republicanos) e Marcos Pollon (PL) não registraram voto no sistema eletrônico da Câmara.

A proposta foi aprovada com ampla maioria no plenário. No primeiro turno, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. Na segunda votação, o texto foi aprovado por 461 votos a 19. Agora, a PEC segue para análise do Senado Federal, onde ainda precisará passar por duas votações antes de eventual promulgação.

A medida altera a Constituição Federal para estabelecer jornada máxima de oito horas diárias e 40 horas semanais, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Atualmente, a legislação permite carga horária de até 44 horas semanais com apenas um dia obrigatório de descanso, modelo conhecido como escala 6x1 e amplamente utilizado em setores como comércio, alimentação, limpeza e prestação de serviços.

Transição será gradual

O texto aprovado prevê um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas e contratos de trabalho.

Dois meses após a eventual promulgação da PEC, trabalhadores contratados pela CLT passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Nesta primeira etapa, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas.

Após um ano, a carga horária cairá definitivamente para 40 horas semanais.

Durante o período de adaptação, empresas e sindicatos poderão negociar acordos coletivos para reorganização de horários e escalas, desde que respeitados os limites estabelecidos pela nova regra.

A proposta também proíbe redução salarial em razão da diminuição da jornada, garantindo a manutenção dos salários integrais, remunerações proporcionais e pisos salariais das categorias profissionais.

Setores terão regras específicas

A PEC mantém possibilidade de regimes diferenciados para setores considerados essenciais ou que já atuam em escalas específicas, como profissionais da saúde, segurança pública, transporte coletivo, limpeza urbana e trabalhadores em regime 12x36.

Nesses casos, acordos coletivos poderão prever compensações de horários, desde que seja assegurada, na média mensal, a concessão de dois dias de descanso remunerado por semana.

O texto também determina que pelo menos uma folga ocorra dentro do intervalo máximo de sete dias consecutivos de trabalho.

Exceções e impacto para empresas

A proposta cria ainda regras diferenciadas para profissionais com diploma de ensino superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social, atualmente equivalente a cerca de R$ 21 mil. Para esse grupo, não serão aplicadas regras constitucionais sobre controle de jornada e registro de ponto.

Outro ponto previsto na PEC trata da adaptação de MEIs (Microempreendedores Individuais), microempresas e empresas de pequeno porte. Uma futura lei complementar deverá definir regras específicas de transição para esses setores.

Durante a tramitação da proposta, entidades empresariais pressionaram por um prazo maior de adaptação às novas exigências, o que levou à inclusão do período de transição no texto final aprovado pela Câmara.

A proposta também determina que acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perderão validade automaticamente dois meses após a promulgação da emenda constitucional, obrigando empresas e sindicatos a renegociarem jornadas e escalas de trabalho.

Por outro lado, trabalhadores que atualmente já cumprem jornadas inferiores a 40 horas semanais não terão aumento da carga horária e também passarão a ter direito aos dois dias de descanso remunerado.

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