Golpes contra idosos fazem quase nove vítimas por dia em Mato Grosso do Sul; Polícia Civil reforça alerta durante Junho Prata
Estado já registrou 1.520 casos de estelionato contra pessoas com mais de 60 anos em 2026; fraudes financeiras e abusos dentro da própria família preocupam autoridades
A cada dia, quase nove idosos são vítimas de golpes em Mato Grosso do Sul. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, entre 1º de janeiro e 21 de junho deste ano, 1.520 pessoas com 60 anos ou mais procuraram a polícia após sofrerem algum tipo de estelionato, o que representa uma média de 8,8 casos por dia.
O número acende um alerta para o crescimento das fraudes financeiras contra a população idosa. Somente em 2025, o Estado registrou 3.649 vítimas de estelionato nessa faixa etária, demonstrando que os idosos continuam entre os principais alvos dos criminosos.
Diante desse cenário, a Polícia Civil tem intensificado as ações da campanha Junho Prata, voltada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa. Além dos golpes praticados por telefone e internet, as autoridades chamam a atenção para casos de apropriação de aposentadorias, retenção de cartões bancários, empréstimos realizados sem autorização e exploração financeira praticada por familiares ou pessoas próximas.
Segundo o delegado Camilo Kettenhuber, titular da 7ª Delegacia de Polícia de Campo Grande, a violência contra idosos vai muito além das agressões físicas.
“As violências não são somente físicas. Elas podem ser morais, psicológicas e financeiras.”
De acordo com a Polícia Civil, entre as situações mais recorrentes estão a apropriação indevida de bens, a pressão para assinatura de documentos, os maus-tratos e até a negligência nos cuidados básicos.
O delegado Leandro Azevedo, titular da 5ª Delegacia de Polícia, destaca que muitas das ocorrências acontecem dentro do próprio ambiente familiar.
“No nosso dia a dia registramos situações como ameaça, agressão física ou psicológica, abandono, negligência e apropriação de aposentadoria ou de benefícios, além de golpes e fraudes praticados contra idosos.”
Ele reforça que esse tipo de situação não deve ser tratado apenas como um problema familiar.
“Violência contra idoso é uma questão de proteção, dignidade e, quando há crime, também é caso de polícia.”
Golpe do Pix está entre os mais frequentes
A Polícia Civil também alerta para o aumento dos golpes financeiros aplicados pela internet e por aplicativos de mensagens.
Um dos mais comuns é o golpe do Pix, no qual criminosos entram em contato com a vítima afirmando que ela ganhou um prêmio, recebeu um benefício ou precisa resolver um suposto problema bancário.
Os golpistas costumam usar frases como:
- “Sua conta será bloqueada”;
- “Seu benefício será cancelado”;
- “Você precisa resolver isso agora”.
O objetivo é criar um sentimento de urgência para que a vítima realize uma transferência sem verificar a veracidade das informações.
A orientação da polícia é simples: desligar a ligação, encerrar a conversa e procurar diretamente o banco ou a instituição responsável antes de fazer qualquer pagamento ou transferência.
Falso parente também faz vítimas
Outro golpe que preocupa as autoridades é o do falso parente, geralmente praticado pelo WhatsApp.
Os criminosos se passam por filhos, netos ou outros familiares, alegando ter trocado de número e, depois de conquistar a confiança da vítima, pedem dinheiro para pagar contas, boletos ou resolver uma suposta emergência.
A recomendação é nunca realizar transferências apenas com base em mensagens e sempre confirmar a identidade do familiar por ligação telefônica ou com outros membros da família.
Falsa central bancária
Também está entre os golpes mais registrados a chamada falsa central bancária. Nessa modalidade, criminosos ligam para a vítima dizendo ser funcionários de instituições financeiras e afirmam ter identificado movimentações suspeitas na conta.
Durante a ligação, pedem senhas, códigos de autenticação, tokens ou até transferências para uma suposta “conta segura”.
A Polícia Civil reforça que nenhum banco solicita senhas ou transferências por telefone.
Como se proteger
As autoridades orientam os idosos e familiares a adotarem algumas medidas simples:
- Desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro;
- Nunca compartilhar senhas, códigos ou dados bancários;
- Confirmar informações diretamente com bancos ou familiares;
- Não fazer transferências sem ter certeza da identidade de quem está pedindo;
- Procurar uma delegacia em caso de suspeita de golpe ou violência financeira.
Para a Polícia Civil, a informação continua sendo a principal ferramenta para reduzir o número de vítimas e evitar que novos casos de exploração financeira e estelionato atinjam a população idosa em Mato Grosso do Sul.