De Naviraí para o México: estudantes embarcam com o robô “Banguela” para competição internacional
Equipe do Sesi de Naviraí será a única representante de Mato Grosso do Sul em torneio de robótica que reúne equipes de mais de 35 países na Cidade do México
Horas antes do embarque, ainda faltavam retoques na pintura preta, alguns detalhes inspirados em um dragão e mais algumas repetições na arena. Nada, porém, era capaz de diminuir a ansiedade dos dez estudantes de Naviraí que, na noite desta segunda-feira (20), deixaram Mato Grosso do Sul rumo à Cidade do México, onde disputarão uma das principais competições internacionais de robótica do calendário estudantil.
O protagonista da viagem é Banguela, robô criado inteiramente pelos próprios alunos do Sesi de Naviraí. O nome foi inspirado no personagem do filme Como Treinar o Seu Dragão e a máquina ganhou olhos de LED, traços que lembram o dragão da animação e até as marcas das mãos dos estudantes, registradas na estrutura durante a pintura final.
Mais do que um robô, Banguela se tornou o símbolo da criatividade e da identidade da equipe naviraiense.
“É um pouco do que traz personalidade para o nosso time. A gente sempre gosta de ser inovador, então trouxe essa criatividade para o robô”, explica Letícia Scotti Borba, de 16 anos.
De Naviraí ao cenário internacional
A equipe será a única representante de Mato Grosso do Sul na competição, que acontecerá entre 23 e 25 de julho e reunirá delegações de mais de 35 países.
Na arena, Banguela precisa recolher bolas verdes e roxas — chamadas de “artefatos” — e lançá-las em um gol, obedecendo uma sequência de cores e retornando à base antes do fim do tempo. Parte da prova é totalmente autônoma, exigindo programação precisa; outra parte depende da operação em tempo real pelos estudantes.
Os operadores Gustavo Umbelino Amaral e Lucas Brum Amorim controlam o robô durante as partidas, enquanto o restante da equipe acompanha a estratégia e orienta as decisões em cada confronto.
“Se um do time não estiver conectado, não dá certo. Se ele pegar a bolinha e o outro não jogar, não funciona”, resumem os estudantes.
A robótica que nasceu em Naviraí
Um dos aspectos que mais chama atenção na história da equipe é que muitos alunos chegaram ao projeto sem qualquer experiência em robótica.
Letícia, hoje programadora do robô, conta que quase recusou o convite para entrar na equipe.
“Eu não sabia programar. Me colocaram para ser programadora e tive que aprender do zero. Dá para fazer sem ser de exatas? Dá, porque eu faço”, afirma.
O professor Fernando Luiz Gonçalves destaca que o conhecimento técnico é desenvolvido durante os treinos e que o principal critério para integrar a equipe é o comprometimento dos estudantes.
“Qualquer um pode aprender. Eles não precisam ter conhecimento prévio. Depois que entram na robótica, aprendem tudo o que precisam”, explica.
Primeira viagem internacional
Para alguns integrantes, a competição representa também a primeira experiência fora do Brasil. A estudante Maria Vitória Ferreira Nascimento embarcou pela primeira vez para outro país.
“Ir para o México faz passar um filme na nossa cabeça, de todas as etapas e de todos os projetos que a gente fez. Estou muito ansiosa e espero que seja uma experiência muito boa”, conta.
Além dos treinos e das partidas, a equipe ainda aproveitaria a viagem para ensaiar a apresentação em inglês que será feita aos avaliadores internacionais.
Orgulho para Naviraí
Segundo o superintendente do Sesi MS, Régis Borges, a viagem é resultado de uma preparação longa e de um trabalho que vai muito além da construção do robô.
A história de Banguela começou em uma sala de aula de Naviraí e chegou ao cenário internacional pelas mãos de dez adolescentes que aprenderam mecânica, programação, estratégia e trabalho em equipe ao longo de meses de preparação.
Quando o grupo embarcou para o México, ainda faltavam alguns retoques na pintura e mais alguns ensaios em inglês. Mas o robô já carregava o detalhe mais importante de todos: as marcas das mãos dos estudantes de Naviraí que o construíram peça por peça e agora levam o nome da cidade para uma competição mundial de robótica.