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De Naviraí para o México: estudantes embarcam com o robô “Banguela” para competição internacional

Equipe do Sesi de Naviraí será a única representante de Mato Grosso do Sul em torneio de robótica que reúne equipes de mais de 35 países na Cidade do México

📅 21/07/2026 06:26 | Fonte: Campo Grande News
De Naviraí para o México: estudantes embarcam com o robô “Banguela” para competição internacional
Robô Banguela durante os últimos testes antes da viagem (Foto: Maya Severino - Campo Grande News)

Horas antes do embarque, ainda faltavam retoques na pintura preta, alguns detalhes inspirados em um dragão e mais algumas repetições na arena. Nada, porém, era capaz de diminuir a ansiedade dos dez estudantes de Naviraí que, na noite desta segunda-feira (20), deixaram Mato Grosso do Sul rumo à Cidade do México, onde disputarão uma das principais competições internacionais de robótica do calendário estudantil.

O protagonista da viagem é Banguela, robô criado inteiramente pelos próprios alunos do Sesi de Naviraí. O nome foi inspirado no personagem do filme Como Treinar o Seu Dragão e a máquina ganhou olhos de LED, traços que lembram o dragão da animação e até as marcas das mãos dos estudantes, registradas na estrutura durante a pintura final.

Mais do que um robô, Banguela se tornou o símbolo da criatividade e da identidade da equipe naviraiense.

“É um pouco do que traz personalidade para o nosso time. A gente sempre gosta de ser inovador, então trouxe essa criatividade para o robô”, explica Letícia Scotti Borba, de 16 anos.

De Naviraí ao cenário internacional

A equipe será a única representante de Mato Grosso do Sul na competição, que acontecerá entre 23 e 25 de julho e reunirá delegações de mais de 35 países.

Na arena, Banguela precisa recolher bolas verdes e roxas — chamadas de “artefatos” — e lançá-las em um gol, obedecendo uma sequência de cores e retornando à base antes do fim do tempo. Parte da prova é totalmente autônoma, exigindo programação precisa; outra parte depende da operação em tempo real pelos estudantes.

Os operadores Gustavo Umbelino Amaral e Lucas Brum Amorim controlam o robô durante as partidas, enquanto o restante da equipe acompanha a estratégia e orienta as decisões em cada confronto.

“Se um do time não estiver conectado, não dá certo. Se ele pegar a bolinha e o outro não jogar, não funciona”, resumem os estudantes.

A robótica que nasceu em Naviraí

Um dos aspectos que mais chama atenção na história da equipe é que muitos alunos chegaram ao projeto sem qualquer experiência em robótica.

Letícia, hoje programadora do robô, conta que quase recusou o convite para entrar na equipe.

“Eu não sabia programar. Me colocaram para ser programadora e tive que aprender do zero. Dá para fazer sem ser de exatas? Dá, porque eu faço”, afirma.

O professor Fernando Luiz Gonçalves destaca que o conhecimento técnico é desenvolvido durante os treinos e que o principal critério para integrar a equipe é o comprometimento dos estudantes.

“Qualquer um pode aprender. Eles não precisam ter conhecimento prévio. Depois que entram na robótica, aprendem tudo o que precisam”, explica.

Primeira viagem internacional

Para alguns integrantes, a competição representa também a primeira experiência fora do Brasil. A estudante Maria Vitória Ferreira Nascimento embarcou pela primeira vez para outro país.

“Ir para o México faz passar um filme na nossa cabeça, de todas as etapas e de todos os projetos que a gente fez. Estou muito ansiosa e espero que seja uma experiência muito boa”, conta.

Além dos treinos e das partidas, a equipe ainda aproveitaria a viagem para ensaiar a apresentação em inglês que será feita aos avaliadores internacionais.

Orgulho para Naviraí

Segundo o superintendente do Sesi MS, Régis Borges, a viagem é resultado de uma preparação longa e de um trabalho que vai muito além da construção do robô.

A história de Banguela começou em uma sala de aula de Naviraí e chegou ao cenário internacional pelas mãos de dez adolescentes que aprenderam mecânica, programação, estratégia e trabalho em equipe ao longo de meses de preparação.

Quando o grupo embarcou para o México, ainda faltavam alguns retoques na pintura e mais alguns ensaios em inglês. Mas o robô já carregava o detalhe mais importante de todos: as marcas das mãos dos estudantes de Naviraí que o construíram peça por peça e agora levam o nome da cidade para uma competição mundial de robótica.

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