Plantas medicinais ganham espaço na ciência e podem gerar renda em MS
Espécies utilizadas há gerações são estudadas em Mato Grosso do Sul para avaliar efeitos, formas seguras de uso e potencial na produção de fitoterápicos
Plantas medicinais utilizadas tradicionalmente por famílias de Mato Grosso do Sul estão cada vez mais no radar da ciência. Pesquisadores estudam espécies conhecidas pela população para identificar propriedades, avaliar riscos e desenvolver possíveis aplicações na produção de medicamentos fitoterápicos.
A aproximação entre conhecimento popular e pesquisa científica também pode abrir espaço para o cultivo dessas plantas por agricultores familiares no Estado. A produção de matéria-prima de qualidade é considerada importante para ampliar pesquisas e viabilizar o desenvolvimento de novos produtos de saúde.
Um dos projetos em andamento envolve a implantação da Farmácia Viva em Mato Grosso do Sul, iniciativa vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS) que prevê etapas como cultivo, coleta, preparação e disponibilização de produtos produzidos a partir de plantas medicinais.
Uso exige cuidado
Apesar de fazerem parte da medicina popular, as plantas medicinais não são necessariamente inofensivas. Especialistas alertam que algumas espécies podem provocar efeitos adversos ou interagir com medicamentos, alimentos e outras plantas.
A identificação correta também é fundamental, já que espécies diferentes podem apresentar aparência e características semelhantes. Por isso, a orientação de profissionais capacitados é recomendada antes do uso de plantas com finalidade terapêutica.
Entre os exemplos citados por especialistas está o inhame, que não deve ser utilizado cru em determinadas preparações devido à presença de substâncias que podem causar efeitos prejudiciais. A babosa também exige atenção, principalmente quando utilizada por via oral, já que algumas de suas substâncias podem oferecer riscos.
Potencial para agricultores de MS
O cultivo de plantas medicinais também é apontado como uma oportunidade para diversificar a produção e gerar renda no campo. A intenção é aproximar agricultores familiares das pesquisas e criar condições para que eles possam fornecer matéria-prima adequada para estudos e produtos fitoterápicos.
O conhecimento tradicional tem papel importante nesse processo. Informações transmitidas entre gerações podem servir como ponto de partida para pesquisas que avaliam cientificamente as propriedades das plantas.
Pesquisas investigam controle do peso
Outra frente de pesquisa envolve substâncias naturais que podem atuar em mecanismos relacionados à saciedade e ao controle do peso.
Pesquisadores investigam compostos presentes em plantas medicinais que podem interagir com mecanismos associados aos hormônios GLP-1 e GIP, envolvidos na regulação da saciedade e relacionados a medicamentos atualmente utilizados para emagrecimento.
A expectativa é que o avanço dos estudos possa identificar novas substâncias com potencial terapêutico. No entanto, especialistas ressaltam que qualquer aplicação na saúde depende de pesquisas que comprovem segurança, eficácia e formas adequadas de utilização.
Em Mato Grosso do Sul, a combinação entre biodiversidade, conhecimento tradicional, agricultura familiar e pesquisa científica coloca as plantas medicinais como uma área com potencial tanto para a saúde quanto para o desenvolvimento de novas atividades econômicas.