Das 229 casas de madeira que guardam a história de Naviraí, apenas 27 estão conservadas, aponta pesquisa
Estudo da UFMS mapeou imóveis no centro histórico e alerta para o avanço da deterioração das construções
As antigas casas de madeira que marcaram o início da ocupação de Naviraí nas décadas de 1960 e 1970 estão sendo estudadas por professores e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS. A pesquisa busca identificar, mapear e analisar as construções que ainda permanecem na área central do município.
Intitulado “Casas de Madeira de Naviraí: Ocorrências, Conservação e Memória”, o projeto é coordenado pelos professores Ricardo Bitencourt e Camila Amaro e surgiu a partir de levantamentos realizados por estudantes da universidade.
Até o momento, foram identificadas 229 residências de madeira no chamado octógono central, área correspondente ao núcleo original de Naviraí. O levantamento considera também que seis casas foram demolidas entre 2023 e 2026.
As construções são consideradas pelos pesquisadores importantes registros do processo de formação do município, especialmente durante o período de exploração madeireira. Além do aspecto histórico, o estudo analisa características arquitetônicas, técnicas construtivas e soluções utilizadas para adaptação ao clima da época.
Apenas 27 estão em bom estado
Após o levantamento, as casas passaram por avaliações técnicas que consideraram aspectos como umidade, infiltrações, telhados, calhas, proteção da madeira e condições estruturais.
Dos 229 imóveis analisados, apenas 27 foram classificados em estado muito bom de conservação. Outros 166 apresentam condição intermediária, enquanto 36 estão em estado ruim.
Para os pesquisadores, os números indicam um processo de descaracterização e deterioração desse patrimônio, que permanece vulnerável à demolição e à falta de medidas específicas de preservação.
Pesquisa também resgata histórias dos moradores
Durante as visitas às residências, a equipe realizou registros fotográficos, medições e entrevistas com os moradores. Os relatos ajudam a compreender não apenas as características das construções, mas também o valor afetivo e histórico das casas para as famílias que vivem nelas.
O trabalho também utilizou ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na recuperação e melhoria da leitura de fotografias históricas, sem substituir os registros originais.
Segundo o professor Ricardo Bitencourt, as casas representam parte importante da memória urbana de Naviraí e ajudam a contar a história da formação do município.
A pesquisa continua com a organização dos dados coletados, ampliação do acervo histórico e levantamento de documentos junto à Fundação de Cultura de Naviraí. A equipe também trabalha na elaboração de um artigo científico e do relatório final do projeto.
Para os pesquisadores, o levantamento pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre o patrimônio arquitetônico de Naviraí e estimular o debate sobre a preservação das construções que ainda permanecem na cidade.