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Mato Grosso do Sul concentra mais de 25% dos casos de chikungunya do Brasil e especialistas alertam para possível novo pico da doença

Mesmo com expectativa de queda nos casos a partir de junho, médicos reforçam cuidados e destacam sequelas que podem durar meses ou anos

📅 02/06/2026 06:03 | Fonte: MídiaMax
Mato Grosso do Sul concentra mais de 25% dos casos de chikungunya do Brasil e especialistas alertam para possível novo pico da doença
Divulgação

Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais preocupantes da história em relação à chikungunya. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Estado registrou 12.619 casos prováveis da doença até o fim de maio, o que representa 25,8% de todos os casos contabilizados no Brasil, que somam 48.868 notificações.

Além do elevado número de infectados, Mato Grosso do Sul também lidera proporcionalmente os óbitos. Das mortes registradas no país em 2026, 21 ocorreram no Estado, o equivalente a quase dois terços dos óbitos nacionais relacionados à doença.

Especialistas explicam que o período de maior transmissão das arboviroses, como dengue e chikungunya, costuma ocorrer entre janeiro e maio, favorecido pelas chuvas e temperaturas elevadas, que aumentam a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Com a chegada de junho e do período mais seco, a tendência é de redução gradual dos casos. No entanto, os infectologistas alertam que isso não significa o fim do risco.

Segundo a médica infectologista do Hospital Universitário da UFGD, Andyane Tetila, ainda podem ocorrer transmissões residuais e surtos localizados em regiões com alta infestação do mosquito.

Possível novo aumento no fim do ano

O infectologista e pesquisador da UFMS, Júlio Croda, alerta para a possibilidade de um novo crescimento dos casos ainda em 2026, impulsionado pelos efeitos do fenômeno climático El Niño.

De acordo com o especialista, o aumento das temperaturas favorece a reprodução do mosquito transmissor e a circulação dos vírus da chikungunya e da dengue.

A expectativa é que a circulação viral volte a ganhar força a partir de dezembro, podendo resultar em um cenário de maior incidência da doença em 2027.

Apesar da influência do clima, especialistas ressaltam que fatores como saneamento básico, eliminação de criadouros e ações de controle também são determinantes para evitar novas epidemias.

Doença pode deixar sequelas por anos

Outro ponto que preocupa as autoridades de saúde é o impacto prolongado da chikungunya na vida dos pacientes.

Diferentemente de outras arboviroses, a chikungunya pode causar dores intensas e persistentes nas articulações por meses ou até anos após a infecção.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de metade dos pacientes evolui para fases pós-agudas ou crônicas da doença, convivendo com limitações físicas, afastamentos do trabalho e redução da qualidade de vida.

Para os especialistas, a rede pública de saúde precisa estar preparada não apenas para enfrentar novos casos, mas também para oferecer acompanhamento aos pacientes que sofrem com as sequelas da doença, incluindo fisioterapia, reabilitação, medicamentos e atendimento especializado.

Dourados concentra maior número de mortes

O município de Dourados segue como o principal epicentro da chikungunya em Mato Grosso do Sul.

A cidade já contabiliza 13 mortes confirmadas e mais de 4,4 mil casos da doença, respondendo por aproximadamente 62% dos óbitos registrados no Estado em 2026.

Bonito e Jardim registraram dois óbitos cada. Já Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna, Douradina e Itaporã contabilizaram uma morte cada.

As autoridades de saúde reforçam que, apesar da expectativa de redução dos casos nos próximos meses, a população deve continuar adotando medidas preventivas para eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor.

Como se proteger

Entre as principais recomendações estão:

  • Manter caixas d'água e reservatórios sempre fechados;
  • Eliminar recipientes que possam acumular água;
  • Limpar calhas e lajes regularmente;
  • Colocar areia nos pratos de vasos de plantas;
  • Guardar pneus em locais cobertos;
  • Descartar corretamente garrafas, embalagens e entulhos;
  • Manter piscinas tratadas;
  • Limpar bandejas de ar-condicionado e geladeiras;
  • Instalar telas em ralos e mantê-los higienizados.

As autoridades reforçam que o combate ao mosquito continua sendo a principal arma para reduzir a transmissão da chikungunya, da dengue e da zika, protegendo a saúde da população em todo Mato Grosso do Sul.

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