Tarifaço dos EUA poupa principais exportações de Mato Grosso do Sul e reduz impacto imediato na economia estadual
Carne bovina, celulose e ferro-gusa ficaram fora da nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos; etanol pode ser o setor mais afetado pela medida
A nova tarifa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto limitado sobre as exportações de Mato Grosso do Sul. Isso porque os principais produtos vendidos pelo Estado ao mercado norte-americano ficaram fora da lista de itens sobretaxados, preservando mais de 95% das exportações sul-mato-grossenses destinadas aos EUA.
A medida foi anunciada após investigação conduzida pelo Escritório Comercial dos Estados Unidos, que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. No entanto, o próprio governo dos EUA estabeleceu uma série de exceções para produtos considerados estratégicos ao abastecimento e à economia do país.
Entre os itens beneficiados estão a carne bovina congelada, o ferro-gusa e a celulose, três dos principais produtos da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul para os norte-americanos.
Carne, minério e celulose lideram exportações
Dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, o Estado exportou aproximadamente R$ 1,45 bilhão para os Estados Unidos, que ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul, atrás apenas da China.
A carne bovina congelada, principal produto exportado pelo Estado aos EUA, respondeu por cerca de metade das vendas realizadas no período, movimentando aproximadamente R$ 731 milhões. Por ser enquadrada na categoria de alimentos, ficou fora da nova taxação.
O ferro-gusa aparece na sequência, representando 24,8% das exportações sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano. O produto gerou cerca de R$ 359,4 milhões em negócios e também foi incluído entre as exceções definidas pelo governo dos Estados Unidos.
Outro destaque é a celulose, responsável por 14,7% das vendas de Mato Grosso do Sul aos EUA e que movimentou R$ 212,8 milhões nos primeiros quatro meses do ano. O produto igualmente permanece livre da tarifa adicional.
Também ficaram de fora da medida produtos como carne bovina refrigerada, carne salgada ou defumada e filés de tilápia.
Etanol pode estar no centro da disputa comercial
Embora o impacto sobre as exportações estaduais seja considerado reduzido, especialistas apontam que o setor de etanol pode sentir reflexos da decisão norte-americana.
Um dos argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a medida envolve as tarifas aplicadas pelo Brasil ao etanol importado dos EUA. Atualmente, o combustível norte-americano enfrenta tributação de 18% para entrar no mercado brasileiro, enquanto o etanol brasileiro é exportado para os Estados Unidos com tarifas significativamente menores.
Com a expansão da produção de etanol, especialmente do etanol de milho em Mato Grosso do Sul, o Estado passou a ocupar posição estratégica no mercado internacional, aumentando a competitividade brasileira frente aos produtores norte-americanos.
Consumidor pode sentir efeitos positivos
Apesar das incertezas sobre os desdobramentos da medida, representantes do setor de combustíveis avaliam que uma eventual redução das exportações pode aumentar a oferta de etanol no mercado interno.
Com maior disponibilidade do produto, existe a possibilidade de o combustível se tornar mais competitivo em relação à gasolina, cenário que poderia beneficiar os consumidores. No entanto, o impacto dependerá da forma como as novas tarifas serão aplicadas e da reação do mercado internacional nos próximos meses.
Estados Unidos seguem entre os principais parceiros de MS
Em 2025, os Estados Unidos importaram cerca de R$ 2,7 bilhões em produtos de Mato Grosso do Sul, consolidando-se como um dos principais destinos das exportações estaduais.
Diante das exceções concedidas aos principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense, a avaliação inicial é de que a nova política tarifária norte-americana não deve provocar impactos significativos na balança comercial do Estado no curto prazo, embora setores específicos, como o de biocombustíveis, continuem acompanhando os desdobramentos da medida com atenção.